Corpo, instrumento do meu ser,
Por onde sinto a vida,
Desde a solidão do inabitado
À alegria da amizade.
Será que te conheço?
Creio que não.
Então como posso
Bem sentir a vida?
Como posso mergulhar sem molhar-me?
Respirar sem sentir o ar,
Comer sem sentir o gosto,
Amar sem sentir amor?
Quero conhecer-me,
Desfrutar de todas sensações,
Fazer evoluir meu espírito,
Buscar o meu desconhecido.
Quero que me leves, ó corpo,
Deste mundo ao infinito,
Da infinidade do universo
À minha menor célula.
Quero ouvir contigo
O canto dos pássaros,
O borbulhar das águas,
Nos rios, nos mares, na terra.
Quero sentir o cheiro,
O corpo de quem me ama,
Ver o brilho ofuscante
Do marrom de seus olhos.
Ó corpo, vens comigo,
Vamos te descobrir.
Mostra-te por completo,
Desvenda-me teus mistérios.
José Roberto Alves de Albuquerque
1987 São Paulo
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